sexta-feira, 19 de julho de 2013

O romance está à venda. Quem quiser uma cópia, não tenha medo do correio e dos emails. Escreva e receberá o livro em casa. 
Por enquanto, vendi trinta exemplares no trabalho, nos cursos, no terreiro.
Chegaram os primeiros feed backs.
Quem gosta de espiritismo, umbanda, quem tem um lado místico, quem acredita nos sonhos, nas coincidências que não são coincidências, então - esse tipo de leitor pode gostar do meu romance. 
Quem não gosta deste mundo escondido, vai me dizer que o livro foi bem escrito, mas não o preenche como leitor.

Desde a saída do romance, o nível de ansiedade cresceu enormemente. As esperanças e o medo da frustração lutam dentro de mim como num ringue de boxe.
E posso reagir no único modo que conheço: escrever outro romance (ou talvez uma música, mas a música dura menos, os efeitos são menos fortes). 
Preciso ocupar minha cabeça com outras histórias para evitar de anegar no labirinto da ansiedade, do medo e da angustia. 
Nasci assim. 

segunda-feira, 15 de julho de 2013

Ficha técnica

O português de "Retratos na Umbanda" foi corrigido por André Conforte, professor da UERJ. 
As primeiras 200 cópias foram impressas graças ao contributo de Rogério Takayanagi e Sidney Baptista Coelho da Rocha. 
O livro foi escrito no Rio de Janeiro em, aproximadamente, quinze meses. 

Escrevi num café na Barra da Tijuca, diretamente em português, teclando num pequeno computador.
Este é o quarto romance que escrevo na mesma mesa, no mesmo café.



domingo, 14 de julho de 2013

ficção

Esta é uma obra de ficção. Utilizei vários contos, entrevistas, escutei muito, mas muito imaginei. 
Espero que ninguém sinta-se magoado por alguma descrição, por espelhar-se num personagem e não gostar de um detalhe pensando que a história podia ter sido diferente. 
A responsabilidade do texto é minha e só minha; tem sim a vivência num centro espírita, mas eu criei outro centro espírita imaginário, em que o pai de santo é Pai Francisco, o pai pequeno é Enzo,  a mãe pequena Sofia. Claro, os médiuns que me contaram suas histórias agora estão vendo-as no papel, mas podem também bem entender que eu usei os contos deles com fins narrativos. Para criar minha própria história, em relação a que chamo de "emoção da Umbanda". 
Peço paciência e compreensão a quem não gostou deste processo. 
Se magoei alguém, peço desculpa. 

sábado, 13 de julho de 2013

A ideia

A ideia deste romance veio durante um jogo de búzios. O Pai Paulo viu que tenho talento literário e pediu para eu escrever a biografia dele. Comecei a entrevistá-lo, no Méier, e acabei conhecendo sua fé, suas esperanças e desilusões. Mas logo entendi que não dava para escrever a biografia. Ele não era Che Guevara e a vida dele, apesar dos altos e baixos, sempre trilhou no caminho da Umbanda. As verdadeiras aventuras do Paulo foram espirituais, mas a biografia seria realística. Por isso, pedi para conhecer os outros médiuns do Centro Espírita, fiz outras entrevistas e acabei envolvendo-me com a Umbanda. De pesquisador, tornei-me um seguidor, de seguidor, um médium do Centro. Aí, entendi que o que eu queria era contar mesmo a "emoção" da Umbanda, tão brasileira e tão internacional ao mesmo tempo. E acho que se o meu romance tem algum merecimento, é por causa desta visão, deste olhar sobre o ser humano, suas crenças e desilusões, seus medos e suas conquistas, dentro de um mundo em que a comunicação com os espíritos torna-se possível, nos compromissos semanais do Centro.

terça-feira, 2 de julho de 2013

A primeira página do romance



Pai Francisco estava chateado com os médiuns, levavam a sério só o momento da incorporação. E o resto?
Pisou no segundo degrau da escada que o levaria ao térreo e depois ao estacionamento. O carro o esperava empoeirado, “Quando terei tempo de lavar ele?”.
O elevador não funcionava e isso acrescentou a sensação de fadiga e de impaciência. Queria se ocupar só do centro, cuidar do santo, das obrigações, mas... e o dinheiro? Quem lhe daria? Devia trabalhar, essa era a pura verdade. E não teria aposentadoria, isto é, poderia se aposentar com um salário mínimo. E a esposa? As filhas? As enteadas? Pelo menos ir ao parque no domingo, comer sanduíches sentados na grama, rezar em silêncio... Entrou no estacionamento e depois no carro. Tomou a direção do Centro e pensou que na manhã seguinte deveria levantar cedo para comprar a carne para a festa de Exu, sábado era dia de Exu e o intermediário, o semideus, gostava de churrasco. Isso significava uma passada no açougue, depois devia organizar a quitanda, averiguar, não podia confiar em ninguém. Quem verificaria se a alface estava boa? Quem contaria as caixas de leite? O entregador só aceitava reclamações na hora.
            Ele sabia que os médiuns participariam em quantidade mínima de sua palestra. De trinta, dez no máximo viriam.
            Estacionou em frente ao portão azul. Vestia bermuda marrom, uma camisa branca listrada, sandálias marrons. No pescoço um colar de ouro com uma pequena faca e uma figa. Tinha cabelos escuros, o rosto de um egípcio, o crânio africano era a parte evidente de sua fisionomia junto com os olhos profundos e uma espécie de brilho divertido, sarcástico, como o de um palhaço ou de um demônio. Ou de um santo. Os olhos de Francisco tinham presenciado pequenos e grandes milagres, esta era a impressão que davam e que deram ao Zé, que lhe abriu a porta do Centro Espírita Filhos de Xangô.