Até a Maria gostou de "Retratos na Umbanda".
O vizinho adorou, a mulher que leva o cachorro pra praça disse que achou inovativo.
O padeiro ainda não teve tempo de ler, o açougueiro não gosta de literatura, o vendedor de livros velhos disse que a Umbanda não é a praia dele.
Mas a Maria gostou, o vizinhou adorou, o padeiro vai ler e o diretor de cinema disse que pode dar até um filme!
O padeiro, porém, agora disse que não leu e não vai ler.
E uma aluna evangélica, quando eu falei do livro, abandonou a sala.
Aí, a dona do curso veio até mim, pediu explicações e eu mostrei "Retratos na Umbanda".
O que é que é isso?, perguntou.
"Uma ficção, não é um livro religioso, fiz várias entrevistas, até faço parte de um Centro..."
A mulher me encarou. Eu a encarei.
Ficamos paralisados.
Estátuas.
Eu não consigo mexer.
Há três dias estou assim. Imóvel encarando uma mulher.
Mas ela foi embora. Deixou a fotografia e os certificados acadêmicos, na parede.
Quem puder, por favor, me tire daqui!
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