quinta-feira, 29 de agosto de 2013

Até a Maria gostou de "Retratos na Umbanda".

O vizinho adorou, a mulher que leva o cachorro pra praça disse que achou inovativo.

O padeiro ainda não teve tempo de ler, o açougueiro não gosta de literatura, o vendedor de livros velhos disse que a Umbanda não é a praia dele.

Mas a Maria gostou, o vizinhou adorou, o padeiro vai ler e o diretor de cinema disse que pode dar até um filme!

O padeiro, porém, agora disse que não leu e não vai ler. 
E uma aluna evangélica, quando eu falei do livro, abandonou a sala.
Aí, a dona do curso veio até mim, pediu explicações e eu mostrei "Retratos na Umbanda".
O que é que é isso?, perguntou.

"Uma ficção, não é um livro religioso, fiz várias entrevistas, até faço parte de um Centro..." 
A mulher me encarou. Eu a encarei. 
Ficamos paralisados. 
Estátuas.
Eu não consigo mexer. 
Há três dias estou assim. Imóvel encarando uma mulher.
Mas ela foi embora. Deixou a fotografia e os certificados acadêmicos, na parede.

Quem puder, por favor, me tire daqui!


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