quinta-feira, 15 de agosto de 2013

O autor de "Retratos na Umbanda" com 17 anos fundou um conjunto punk rock (mais rock do que punk), em Milão.

Formou-se em Letras Modernas com 27 anos (durante a faculdade trabalhou como garçom, operário, professor e trancou a matricula duas vezes porque decidiu dedicar seis meses à leitura de Marcel Proust e mais três ao Ulisses de James Joyce - autores ausentes do curriculum da Statale de Milão). 

Deixou seu país com 28 anos.

No Brasil trabalhou numa ONG na favela da Rocinha. A verdadeira formação desse sujeito foi entre os becos, as vielas, ajudando crianças carentes ou tentando ajudar crianças carentes. 
Ele também dava aulas de italiano para os ricos de Ipanema. 

Um dia ele passou a manhã numa casa na Roupa Suja na Rocinha que não tinha o vaso sanitário, mas um buraco que dava diretamente na vala de esgoto; a tarde ele foi trabalhar num apartamento de um conselheiro de um banco brasileiro, na Vieira Souto. Entre mordomo, serviçais e luvas brancas. 

As contradições de Rio de Janeiro mexeram com ele numa forma que ele não entendeu de imediato. 

Mas hoje ele sabe o que aconteceu. E sabe também que não vai se livrar desta cidade, nunca. 

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