O Autor com nove anos escreveu um conto, junto com os primos. Havia muitos assassinatos, era a história de uma família inglesa aristocrata (a prima do Autor estudava literatura inglesa); um dos filhos, tal Andrew, era maluco. Todo mundo achava ele engraçadinho e inofensivo, mas Andrew tinha um esconderijo segredo em baixo da casa dos pais, nos soterrâneos, cheio de armas, de camas com cintos para acorrentar as pessoas e instrumentos para a tortura. Aqui ele levava suas vitimas, seduzidas pelo ar sonhador e doidinho. Violentava, matava e nunca ficava satisfeito.
A única parte boa era o começo, escrito pela prima do Autor. A filha mais nova da família subindo a escadaria, cheia de jóias, numa sala enorme, em baixo de um lampadário gigante.
O Autor, que tinha e tem um pensamento fixo, obsessivo, copiou o texto em algumas folhas de papel, em letras capitais. O primo desenhou a capa. Outro primo criou uma música para o lançamento, que aconteceu no jardim da casa dos avós, na frente dos pais, dos tios, do Aurelio e da Pierina.
O Autor pediu pro pai dele fotocopiar o conto que tornou-se uma espécie de livrinho. Ele o distribuiu entre os colegas da turma da escola. Ninguém leu, com exceção da professora que ficou surpresa e disse para os pais do Autor que o filho deles tinha talento.
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