O Autor de "Retratos na Umbanda" sofreu um trauma na creche, mas não lembra bem. Só lembra dele, de um amiga e um amigo nus, num quarto escuro e a professora gritando. Depois teve uma punição.
O Autor odiava a creche. Odiava ter que dormir todas as tardes, porque ele não tinha sono. Odiava escovar os dentes juntos com os demais. Odiava fazer as mesmas coisas que todo mundo fazia. Quando, anos mais tarde, visitou o campo de extermínio nazista de Auschwitz-Birkenau (agora um museu) , de repente lembrou da creche: os prisioneiros que repetiam os mesmos gestos juntos lembraram-lhe ele e os seus coleguinhas... Por isso, a mãe do Autor tinha medo dele rejeitar a escola primaria. Ao contrário, quando o Autor descobriu as palavras sentiu-se muito bem. Foi uma espécie de milagre, um amor a primeira vista.
Começou logo a ler livros.
Com nove anos escreveu, juntos com os dois primos e a prima, na casa de Pesaro dos avós paternos, um conto de dez páginas e quinze assassinatos... O Autor, porém, agora gostaria de fazer uma pergunta para a professora da creche que hoje deve ter uns sessenta anos: "Professora, o que é que aconteceu naquele quarto? Por que o Autor e seus amiguinhos foram punidos? Por que a senhora deixou os três no quarto escuro a pensar?".
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